Portugal comemora, neste momento, a promulgação de uma nova Lei dos Estrangeiros, apresentada ao país como uma política moderna, humana e inteligente.
Mas, na prática, o que se celebra é apenas um remendo bem disfarçado sobre um tecido social em decomposição.
A lei facilita a entrada e a legalização de estrangeiros, sobretudo de cidadãos da CPLP, entre os quais os brasileiros, com o argumento de rejuvenescimento populacional e suprimento de mão de obra.
Contudo, por trás do discurso político, há uma verdade que ninguém quer encarar:
Portugal não está a resolver o seu problema demográfico, está apenas a substituí-lo.
A juventude que parte e o país que envelhece
O que esvazia Portugal não é a falta de imigração, mas a falta de esperança dos próprios portugueses.
Os jovens concluem cursos superiores, técnicos e especializações, apenas para descobrir que o mercado de trabalho nacional não os valoriza.
Salários baixos, habitação cara, impostos sufocantes e perspectivas nulas de ascensão fazem com que o talento português abandone o país em busca de dignidade.
O Estado, incapaz de reter os seus, reage com a política mais cômoda e imediata: importar juventude de fora.
Em vez de reformar o sistema, prefere preencher o vazio demográfico com estrangeiros, como se identidade nacional fosse matéria substituível.
O erro travestido de modernidade
Chamar isso de “política inteligente” é um insulto à inteligência.
Política inteligente seria:
Valorizar o jovem português, pagando-lhe o suficiente para construir vida e família em Portugal;
Reduzir a carga fiscal sobre quem trabalha e produz;
Garantir habitação acessível, para que o sonho de um lar não seja um luxo de elites;
Estimular a natalidade, recompensando casais que decidem ter filhos em território nacional.
O que se pratica hoje é política de sobrevivência, não de futuro.
Uma gestão que se contenta em manter o país respirando, ainda que com pulmões emprestados.
A ilusão da reposição demográfica
Os brasileiros estão a preencher as lacunas deixadas por décadas de negligência política.
Terão filhos em Portugal, abrirão empresas, integrar-se-ão na sociedade e rejuvenescerão o país.
Mas é preciso compreender o preço disso: Portugal continuará existindo, mas será outro.
Será um país lusófono, multicultural, plural, e inevitavelmente diferente do Portugal que o viu nascer.
Não é uma perda, mas é uma mutação identitária provocada não por evolução natural, mas por omissão política interna.
Astúcia não é inteligência
A atual estratégia portuguesa não é inteligente, é astuta.
Astúcia é o que se usa para adiar um colapso.
Inteligência é o que se aplica para evitá-lo.
Portugal, ao optar pela imigração em massa sem antes valorizar os seus jovens, escolheu a astúcia.
Ganhou tempo, mas perdeu substância.
E um país que precisa importar esperança está, na verdade, a exportar o seu próprio futuro.
Conclusão
A nova Lei dos Estrangeiros resolve números, mas não resolve nação.
Substitui cidadãos, mas não repara raízes.
O que Portugal precisa não é de mais gente, é de mais motivos para que o seu próprio povo queira ficar.
Porque nenhuma imigração, por mais bem-vinda que seja, conseguirá sustentar eternamente um país que deixou de acreditar em si mesmo.

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