O governo português continua a gastar valores astronómicos no aluguer de helicópteros privados para o combate aos incêndios florestais, um negócio que, ano após ano, soma dezenas de milhões de euros aos cofres de empresas com ligações políticas e familiares de peso.
De acordo com dados públicos, existem contratos em que cada hora de voo de helicóptero já chegou a custar 12 mil euros, como aconteceu com os polémicos Kamov operados pela Heliportugal em 2018. Quando se somam os custos de aquisição e manutenção desses aparelhos ao longo da última década, cada hora de voo pode ultrapassar os 35 mil euros, um número absolutamente escandaloso.
Mesmo em contratos considerados “médios”, como o celebrado pela Autoridade Nacional de Proteção Civil com a Babcock, o valor oficial inscrito foi de cerca de 740 euros por hora de voo, acrescido de uma pesada fatura diária de disponibilidade que ultrapassou os 3,3 milhões de euros num único pacote. O resultado é simples: quem ganha são as empresas privadas; quem paga a conta é o contribuinte.
Aviões da Força Aérea no chão
Enquanto isso, dois aviões C-130 da Força Aérea Portuguesa, que poderiam ser adaptados para transporte de água e combate a incêndios de grande escala, estão parados. Só agora, em 2025, o governo anunciou que irá investir 16 milhões de euros para equipar essas aeronaves com capacidade de despejo, num projeto que se arrasta há anos.
A questão central é: por que razão se continua a gastar milhões e milhões em helicópteros privados quando existem meios públicos, já pagos pelo povo português, parados nos hangares da Força Aérea?
Contradições e suspeitas
O caso torna-se ainda mais polémico porque algumas destas empresas contratadas têm ligações a familiares de figuras de destaque do governo, como é o caso da Gesticopter, ligada à família do ministro da Presidência, António Leitão Amaro. A Polícia Judiciária investiga se houve viciação de concursos públicos, corrupção e formação de cartéis na contratação destes meios.
Estamos perante um cenário em que o Estado paga fortunas por hora de voo, enquanto a frota nacional é deixada em segundo plano, sem plena utilização, dependendo de decisões políticas que tardam a transformar capacidade própria em ação concreta.
Conclusão
Portugal vive todos os verões sob a ameaça devastadora dos incêndios. Mas em vez de investir a sério na independência operacional da Força Aérea, o governo insiste em despejar milhões em contratos com privados. A pergunta que fica é simples e direta:
A quem interessa manter esta dependência financeira, quando o país já tem aviões militares capazes de fazer o trabalho a custo muito mais baixo?


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