sexta-feira, 30 de maio de 2025

Como são tratados os cristãos no Bangladesh?

O Bangladesh reconhece o Islã como sua religião oficial, conforme o Artigo 2A da Constituição. 

De acordo com o censo nacional de 2022, a distribuição religiosa da população de Bangladesh é a seguinte: 

Muçulmanos: 91,04%


Hindus: 7,95%


Budistas: 0,61%


Cristãos: 0,30%


Outros: 0,12% 

Os cristãos em Bangladesh enfrentam uma realidade complexa marcada por discriminação, violência e marginalização, apesar das garantias constitucionais de liberdade religiosa. 


Discriminação e perseguição


Cristãos convertidos de outras religiões, especialmente do islamismo, são particularmente vulneráveis.  Eles frequentemente sofrem ameaças, agressões físicas e ostracismo por parte de suas comunidades e até de familiares.  Para evitar represálias, muitos se reúnem em igrejas domésticas ou em segredo.


Além disso, cristãos pertencentes a minorias étnicas, como os povos Santal e Bawm, enfrentam uma "dupla perseguição" por sua fé e por sua origem étnica.  Casos de discriminação incluem a recusa de serviços básicos, como o uso de utensílios em restaurantes, e a apropriação de terras por parte de grupos majoritários.


Violência recente e instabilidade política


A instabilidade política agravou a situação das minorias religiosas.  Após a renúncia da primeira-ministra Sheikh Hasina em agosto de 2024, uma onda de violência eclodiu.  Entre agosto e dezembro de 2024, foram registrados 174 incidentes de violência contra minorias, resultando em 23 mortes e nove casos de estupro.  Cristãos foram alvo de ataques, com igrejas incendiadas e propriedades saqueadas em diversas regiões do país.


A situação levou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos a solicitar investigações sobre os ataques e a proteção das minorias.


Contradições legais e realidade prática


Embora a Constituição de Bangladesh proclame a liberdade religiosa e a igualdade de direitos para todas as comunidades, na prática, essas garantias são frequentemente ignoradas.  Cristãos enfrentam dificuldades em obter justiça, com relatos de negligência por parte das autoridades e uso de instituições estatais para suprimir líderes minoritários.


 Classificação internacional


Em 2025, Bangladesh foi classificado como o 26º país mais perigoso para os cristãos, segundo a organização Portas Abertas.  A perseguição inclui desde ameaças e agressões até assassinatos, com registros de ataques a igrejas e líderes religiosos.

Em resumo, os cristãos em Bangladesh vivem sob constante ameaça, enfrentando discriminação institucionalizada e violência, especialmente em períodos de instabilidade política.  Apesar das contribuições significativas para a educação e a saúde no país, essa minoria continua a lutar por reconhecimento e proteção efetiva de seus direitos fundamentais. 

Votos Anulados dos Emigrantes: O Descaso Repetido que Serve a Quem?

Mais de 113 mil votos de emigrantes foram anulados nas Legislativas de 2025. O Governo e a Comissão Nacional de Eleições sabiam do problema há anos, mas optaram por manter tudo como estava. A quem interessa esta negligência, especialmente quando os dados favoreciam o avanço do CHEGA?

A cada eleição legislativa, repete-se o mesmo escândalo com precisão vergonhosa: milhares de portugueses emigrados são excluídos da contagem de votos. Em 2022, o problema já era gritante. Em 2024, escandaloso. Agora, em 2025, torna-se criminoso pela omissão reiterada daqueles que têm o dever de proteger o sufrágio universal.


O que agrava a situação é o facto de este problema já ser conhecido há vários anos, sem que nenhuma autoridade tenha tomado providências concretas para corrigi-lo. A CNE tem pleno conhecimento das causas a principal delas, o envio incorreto do voto e do documento de identificação no mesmo envelope, o que compromete o anonimato e o Governo tem ciência do impacto disso nos resultados eleitorais. E ainda assim, nada foi feito.


A engrenagem que desfaz a democracia


Segundo a legislação em vigor, o eleitor no estrangeiro deve colocar o seu voto num envelope branco (sem qualquer identificação), e este, por sua vez, deve ser inserido dentro de outro envelope, junto com a cópia do documento de identificação. Milhares de eleitores, por desconhecimento, pressa ou ausência de informação clara, colocam ambos os itens juntos, visíveis, o que leva à imediata anulação do voto por violação do princípio do voto secreto.


E aqui está o ponto-chave: isso já aconteceu nas legislativas de 2022 e 2024. O Governo e a CNE tinham pleno conhecimento da falha sistemática, mas optaram por manter os mesmos procedimentos, as mesmas instruções confusas e a mesma apatia institucional.


CHEGA: o maior prejudicado


Segundo as principais sondagens eleitorais internacionais, o CHEGA liderava com folga a intenção de voto entre os portugueses emigrantes. E isso foi amplamente confirmado nas urnas: o partido teve resultados expressivos e consolidou-se como a segunda força política nacional.


Contudo, nos círculos do estrangeiro, faltaram pouco mais de mil votos para que o partido garantisse um terceiro deputado, algo perfeitamente plausível se não fossem os 113 mil votos anulados, muitos dos quais, segundo levantamentos informais em comunidades portuguesas, teriam o CHEGA como escolha preferencial.


Ora, se as sondagens já indicavam este favoritismo, como justificar que o Governo e a CNE não tenham tomado qualquer providência para evitar a repetição da exclusão em massa? Não é razoável presumir ignorância de quem gere o processo eleitoral com tantos dados em mãos.


Negligência ou estratégia?


Não se trata mais de um erro administrativo. A persistência da falha, mesmo após alertas públicos e estudos técnicos, configura um padrão de inércia com graves implicações políticas. A exclusão sistemática de milhares de votos emigrantes, cuja tendência de escolha destoava do centro político tradicional, pode ter sido um fator decisivo para limitar a força parlamentar do CHEGA.


E é precisamente essa pergunta que urge fazer ao Governo e à CNE:

Tendo pleno acesso às sondagens que favoreciam o CHEGA no voto emigrante, por que razão não se atuou para proteger esses votos?


O silêncio é ensurdecedor, o impacto é real e a pergunta que não cala é:

Será que se o voto emigrante favorecesse os partidos do sistema, essa “falha técnica” já teria sido resolvida há muito tempo?




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