Lisboa voltou a ser palco de dor e indignação. O trágico acidente com o Elevador da Glória, que resultou em 16 mortes, reacendeu o debate sobre responsabilidade política no país. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, não hesitou em afirmar que o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, deveria ser considerado “politicamente responsável” pelo ocorrido, ainda que não tivesse culpa direta na tragédia.
A declaração é forte e ecoou imediatamente no debate público. Marcelo deixou claro que, para ele, quem está à frente de uma instituição pública tem de responder por tudo que acontece sob sua gestão, mesmo sem ter causado diretamente o problema, mesmo sem envolvimento pessoal.
O princípio que se volta contra o próprio Presidente
Ao assumir esse discurso, Marcelo abriu espaço para uma leitura que, inevitavelmente, recai sobre a sua própria figura. Afinal, se Moedas é politicamente responsável pelo acidente em Lisboa, não seria o próprio Presidente igualmente responsável pelos efeitos da política de imigração descontrolada, que ele mesmo defende publicamente?
Nos últimos anos, Portugal tem enfrentado um colapso social cada vez mais visível:
Aumento da violência e da criminalidade em várias cidades;
Pressão sem precedentes sobre o mercado habitacional, com rendas inflacionadas que expulsam os portugueses de suas próprias casas;
Crescimento de tensões sociais e culturais, refletindo uma falta de planejamento no acolhimento de imigrantes.
Não se trata de criminalizar o imigrante em si, mas de reconhecer que a ausência de uma política equilibrada e controlada abriu espaço para problemas que agora se refletem diretamente na vida da população.
Responsabilidade política não é seletiva
O próprio Marcelo disse:
“Quem está à frente de uma instituição pública responde politicamente (…) por aquilo que aconteça de menos bem nessa instituição, mesmo que sem culpa nenhuma, mesmo que sem intervenção nenhuma”.
Se este é o princípio que o Presidente defende, então a lógica deve ser coerente: Marcelo Rebelo de Sousa também deve ser julgado politicamente pelas consequências de sua insistência em apresentar a imigração em massa como solução para todos os problemas do país.
Não basta apontar o dedo para Carlos Moedas ou para outros responsáveis políticos. O chefe de Estado, que ao longo dos últimos anos fez questão de elogiar e incentivar a vinda de imigrantes, precisa reconhecer que suas próprias palavras tiveram impacto direto na crise que Portugal atravessa.
O preço da incoerência política
Hoje, milhares de famílias portuguesas enfrentam a realidade de aluguéis impagáveis, aumento de crimes e uma pressão social crescente. Quando Marcelo transfere o peso da responsabilidade política para outros, mas se exime diante do problema da imigração, cai na contradição que ele mesmo denunciou.
O povo percebe. E, como o próprio Presidente afirmou no caso do Elevador da Glória, a verdadeira avaliação de qualquer governante acontece nas urnas.

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